
Quando mentir se torna uma frequência
Não acredita em uma palavra do que aquela amiga diz? As histórias mal contadas do seu ex já viraram piada? NOVA alerta para uma doença mais comum do que você imagina: a mitomania.
Quantas mentiras você contou hoje? Não precisa se assustar com a pergunta. Uma pesquisa da Universidade de Massachusetts indicou que qualquer mortal chega a contar três lorotas a cada dez minutos de conversa. Outro estudo da Universidade do Sul da Califórnia constatou que temos contato com 200 inverdades por dia, como ouvinte ou encarnando o próprio Pinóquio. Quer dizer que mentir de vez em quando é normal? Depende. Psicólogos concordam que soltar um "Sua apresentação foi um sucesso, chefe" ou "Adorei seu cabelo repicado" são cascatas inofensivas e eficazes para garantir o bom convívio e se preservar. Por outro lado, avisam que não é normal a mentira passar de exceção à regra. E é disso que vamos falar aqui.
Lorota (nada) boa
Você deve conhecer alguém com fama de embromador, tipo aquela prima que adora falar sobre suas viagens incríveis nas férias, quando todos sabem que ficou em casa. Se ela não consegue controlar a verborragia de inverdades, é provável que seja uma... mitômana. "A vítima dessa doença chega ao ponto de acreditar em suas invenções", explica o psiquiatra Geraldo Massaro, terapeuta especializado em psicodrama do Hospital das Clínicas de São Paulo. E por que ela mente? "Pode ser que se sinta diminuída perante os amigos ou queira apimentar suas experiências", complementa Massaro. Mas... se tem consciência de que falseia os fatos, por que não se censura? "Quem sofre de mitomania prefere se afastar dos amigos ou mudar de trabalho a se confrontar com a realidade", explica o psicólogo Sandro Caramaschi, especialista em relacionamento humano e professor do departamento de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A advogada Mônica, 28 anos, sabe bem como funciona esse processo de fuga. "Desde que se separou, minha mãe já inventou que tinha namorados mais jovens e até recebido ofertas de emprego para cargos de diretoria. Tentei mostrar com provas concretas que a havia flagrado. Mas ela me acusava de querer enlouquecê-la. Saía de casa sem dizer aonde ia, voltava de madrugada e agia como se nada tivesse acontecido. Tenho certeza de que tantas invenções são fruto de carência", avalia.
Cheque se sua língua encrenca você
Com medo de padecer da síndrome do Pinóquio? O simples fato de estar preocupada já é sinal de que tudo vai bem. Os mitômanos não demonstram arrependimento nem autocrítica. Quer mais comprovações de que sua mentirinha é inofensiva? Fique tranquila se você...
• Mente apenas em situações pontuais - para não ofender alguém, por exemplo.
• Toma cuidado para que a história não cause problemas aos outros.
• Não lança mão da lorota para conseguir vantagens que seriam usufruídas por outro.
• Não inventa fatos com intuito de manipular ou influenciar.
• Tenta sempre outros recursos, como desconversar ou omitir.
• Evita alimentar uma meia-verdade com outras meias-verdades.
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